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Tody Jr.

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24 Feb 2015
PALMEIRAS, O MODELO A SER SEGUIDO
Análise UP - por Eduardo Pires Del Picchia

Hoje os gambás perderam o Jadson pro futebol chinês e tudo isso é previsível. O que está acontecendo no timinho da marginal é o começo de um processo que fará todos os palmeirenses saudarem, aliviados, toda a tortura que o Paulo Nobre impôs ao Palmeiras, se impôs e nos impôs nos anos de 2013 e 2014. Não há mais como fazer dinheiro brotar no chão ou cair do céu. Não há mais como empurrar a responsabilidade com a barriga, deixar de pagar impostos, salários, fazer mutreta com a facilidade de antes.

Não dá mais pra achar que antecipar cotas de TV ou outras é benéfico e não será cobrado um alto custo mais na frente. Dinheiro se faz faturando realmente ou não se faz. Os chineses pagaram 5 milhões de euros e os gambás só podiam cobrir ou se calar e se calaram porque não tem cerca de 18 milhões de reais pra pagar. Porém, hoje o Palmeiras tem esse dinheiro. Na nossa atual realidade, ainda é apertado, mas tem o dinheiro e os principais fatores foram a compra pelo presidente de toda a dívida do clube e faze-la ser pagável, sem dilapidar o Verdão e as rendas a receber intactas, sem antecipar nada, o que nos deixou meio na penúria ano passado, mas esse ano estamos bebendo água limpa.

Ai tem os patrocínios na camisa que chegam perto de 40 milhões de reais, o Allianz Parque que deve dar entre 40 e 50 milhões livres e o programa de sócios-torcedores Avanti, que vai dar no mínimo 30 milhões livres pro clube. Soma ai os 80 milhões da cota intacta de TV, 36 milhões dos produtos oficiais e mais várias fontes de renda e se explica porque estamos bem e vamos melhorar muito mais. Todas as rendas que bancam o funcionamento do clube estão intactas e as demais rendas não precisam cobrir os altos gastos, então sobra para contratar.

Com o Entulhão de Itaquera, o rival da marginal arranjou 100 milhões anuais para pagar por muito tempo, tem rendas antecipadas, sobrando pouco a retirar e não pagaram impostos, a tendência é se ferrarem, perdendo aos poucos os melhores e mais caros jogadores para diminuir custos. Estão comemorando receber 4,5 milhões livres com a venda do jogador, algo que o Palmeiras deve totalizar com 4 jogos no Allianz Parque, enquanto eles estão desviando toda a renda do Entulhão para juntar os 100 milhões que vencem em maio e, que se saiba, não juntaram ainda nem metade disso.

E assim temos a oportunidade de ver nosso clube cada vez mais forte e eles cada vez mais fracos, inclusive o clube do Jardim Leonor, só o Alan Kardec adiantou 15 milhões da cota semelhante que eles tem de TV, isso faz falta e sem patrocínio, estão se dedicando ao sócio-torcedor, que ainda está chegando aos 50 mil, mas será difícil manter o time pro segundo semestre.

Enfim, toda aquela desgraceira do ano passado teve esse objetivo, nos adiantarmos em relação a todos os clubes do Brasil (o mais próximo é o Flamengo, 1 a 2 anos atrasado, que tem uma boa administração mas vários outros problemas) e colher uma situação nova, estável, com faturamento em 2015 entre 250 e 300 milhões de reais e em 2016 acima dos 350 milhões e, o mais importante, com no máximo 150 a 200 milhões de reais em gastos, direcionando muito dinheiro para contratações.

Dinheiro e competência juntos geram times campeões. Temos torcida participativa (apesar que o Avamti parou de crescer, falarei sobre isso em próxima postagem), arena poderosa, direção no futebol hoje competente, situação financeira estável e crescente e um nome com um peso impressionante, hoje totalmente atrativo para os grandes jogadores. Vamos em frente, quem viver verá.
10 Feb 2015
http://www.chapaacademia.com.br/manifesto-...s-palmeirenses/



Assinado por todos os grupos políticos da SEP


Nós, conselheiros da Sociedade Esportiva Palmeiras, representando os grupos políticos existentes em nossa associação, tendo presenciado ou sido informados dos atos desagradáveis e injustificáveis protagonizados pela Polícia Militar do Estado de São Paulo nos dias 7 e 8 de fevereiro, nas imediações da Sede Social da Agremiação que integramos, vimos por meio desta manifestar nosso repúdio aos atos anteriormente citados.

Nada pode justificar que representantes do Estado brasileiro, munidos do uso exclusivo da força que sua condição lhes dá, simplesmente atuem com excesso e de forma truculenta. Não se pode apoiar ou mesmo compreender que seja necessário o uso de balas de borracha e bombas de efeito moral em vias públicas com grande presença de crianças, mulheres e idosos. E nem se diga que houve quaisquer provocações ou desentendimentos que teriam ocorrido (segundo a PM) com pessoas ou grupos nas imediações do clube: é dever do Estado compreender que tais situações, ainda que não desejadas, são esperadas e corriqueiras, e que deve integrar a preparação de seus agentes a resposta contida e proporcional a tais eventos.

Tais “provocações ou desentendimentos” teriam ocorrido, segundo afirmações da própria Polícia Militar, na barreira da entrada da torcida adversária, vale dizer, na esquina da Rua Padre Antônio Thomaz com Av. Antártica. No entanto, o tumulto generalizado provocado pela Polícia Militar ocorreu a 500 metros de distância, na esquina da Rua Turiassu com a Rua Caraíbas, onde até então a paz reinava entre os palmeirenses. As imagens feitas pela imprensa e por torcedores não deixam dúvida sobre o uso excessivo de força. Policiais Militares avançaram de forma totalmente desnecessária da Av. Sumaré em direção à Rua Caraibas, atirando bombas e balas de borracha, quando aqueles que supostamente haviam iniciado o tumulto já haviam se dispersado. O excesso e o despreparo são evidentes.

Nesse sentido, “absolutamente necessário”, utilizando-se dos termos da lamentável nota oficial divulgada pela Polícia Militar, é o dever de agente público em agir com discernimento! Não se pode aceitar como legítimo e necessário que a Polícia Militar provoque com suas ações danos às pessoas e às propriedades que não tenham qualquer relação direta ou indireta com atos que reivindiquem a repressão dos agentes do Estado! Não se imagina que seja tarefa fácil: é contudo, seu dever inafastável, e episódios como os do último final-de-semana mostram que ainda grassa a visão, na Polícia Militar, que o torcedor de futebol é potencialmente um vândalo – ainda que milhares de pais, crianças, idosos na multidão atacada confiassem e aguardassem da atuação estatal uma resposta condigna ao seu status de cidadão, as bombas e balas de borracha reduziram tais pessoas a elementos em uma massa a ser agredida e dispersa.

O abuso de poder ficou claro também no dia anterior, quando um bloco de carnaval que ocupava parte na Rua Turiassu, também com grande presença de crianças, mulheres e idosos, foi dispersado com uso de bombas de efeito moral (inclusive atiradas em brinquedos onde estavam crianças) e balas de borracha. Fica a pergunta: é praxe da Polícia Militar do Estado de São Paulo dispersar foliões dessa forma, ou só se estiverem nas proximidades do Palestra Itália?

Vivemos em um Estado Democrático de Direito! E, como tal, o cidadão exige e merece o devido respeito dos agentes desse Estado! Que venha a paz dentro e fora dos estádios, e que o Estado contribua, e não destrua essa possibilidade.

Exigimos a apuração dos fatos pela Corregedoria da Polícia Militar, punindo-se os responsáveis pelo abuso de poder, pelo excesso de força e pelo tumulto generalizado causado.

Por fim, aproveitamos ainda para indagar aos Srs. Promotores de Justiça, Dr. Paulo Castilho e Dr. Roberto Senise, sedizentes guardiões da paz nos estádios paulistas e brasileiros, a razão pela qual somente Clubes e Federação serão investigados pelo ocorrido no último domingo, sem qualquer menção à atuação da Polícia Militar.

13 Jan 2015
Não desmereço as contratações feitas até agora, mas assumo que desconheço o potencial da maioria.
Mas, esse moleque é bom de bola!
Canhotinho que barbarizou no Paraná e fez gol histórico no Porto.
8 Dec 2014
Queria escrever como foi meu domingo. O pior de toda a minha vida de palmeirense. Pior que a decisão do Mundial no Japão. Pior que os dois rebaixamentos. Pior...
Texto tão brilhante quanto triste. Triste, porque retrata a verdade. Verdade, que jamais seja repetida nos próximos 100 anos.
Nascemos em 1914 e renascemos em 2014. Teremos os mesmos 86 anos para conquistar o BI-SÉCULO.
E vamos!

POR ERIKA GIMENEZ BARBUGLIO*

-Moça, tá passando mal?

A moça era eu, apoiada nas grades de um portão na rua Turiaçu, quase um muro das lamentações, em lágrimas e sorrindo ao mesmo tempo, comemorando o que ao longe parecia ser um gol do meu Palmeiras, jogando no estádio ao lado de onde eu estava.

Nessa partida não quis ir, não aguentaria.

Meu marido e meu filho estavam lá. Combinamos que eu ficaria por perto, no shopping próximo, passando o tempo, tentando me manter longe daquele purgatório de tensões. Talvez fosse ao cinema, mas nenhum filme me agradara. Queria ficar isolada naquelas quase 2 horas e, de repente, meu celular da maçã desligou sozinho e não ligou mais… Tecnologia com inteligência emocional? Cuidado com o que você deseja, como Lennon dizia…

Estava eu, então, sozinha desde às quatro da tarde, sem telefone, sem relógio, na rua Turiaçú. Assisti ao pontapé inicial do jogo na TV de um bar lotado de palmeirenses esperançosos (pleonasmo…), do outro lado da rua.

Com a bola rolando, fiz sinal da cruz três vezes, virei o rosto e fui caminhando pela calçada até o estacionamento do shopping, pensando que dentro do caro ficaria num abrigo à prova de som. Entrei, sentei no banco do motorista e encostei a cabeça no volante, nervos à flor da pele, lágrimas nos olhos. Bateram no vidro: -Moça, vai sair? perguntou uma senhora que queria a minha vaga, especificamente, mesmo com tantas outas livres e disponíveis no estacionamento.
Respondi “não” com a mão e a cabeça, sem voz. Nem que quisesse saíria dali, as pernas tremiam.

Naquele momento, alguns minutos após às cinco da tarde, minha tensão era tão forte que provocaria um curto-circuito – o telefone inteligente percebeu e se desligou antes.

Pensando em como me acalmar, respirei fundo e comecei a meditar, imaginando Maharishi, os Beatles e “Dear Prudence”, mas o rosto de Henrique, nosso “artilheiro” (os palmeirenses entenderão o porquê das aspas), invadia minha meditação como uma assombração. Fui meditando (mantra), meditando (mantra), respirando (mantra), preciso me acalmar (mantra), tudo passa (mantra), é só um jogo (mantra)… Ali, no carro com os vidros fechados, dentro do estacionamento, ouvi a explosão de uma comemoração enorme: gol?!? Desesperada, liguei o rádio, busquei a estação certa e ouvi: “pênalti para o Palmeiras, Henrique pega a bola e vai bat…”. Desliguei imediatamente.

De novo, respirei fundo, Maharishi, meditação (mantra), Henrique não erra (mantra), meditação (mantra) e… nova comemoração quebra o silênciO, eu choro de novo, estamos ganhando (penso), ligo o rádio e ouço: “Palmeiras empata o jogo!”. Empata?!? Empata o jogo?!?

Chega! Chega de tudo isso, chega de Maharishi, meditação, vou sair desse carro, não quero ouvir mais nada.

Saío do carro e me dirijo aos corredores do shopping, andando sem parar por todos os pisos, entrando em uma, duas, três, quatro, cinco lojas… “Posso ajudar”, perguntam os vendedores; não, não pode, ninguém pode, penso, enquanto respondo que estava só olhando…

Sem relógio, passava pelas pessoas fitando seus pulsos, em busca de noção do tempo. Entrei numa livraria para saber a hora na tela do computador do caixa. Seria mais fácil perguntar, eu sei, mas nada que eu fazia naquele momento tinha algum sentido.

Andando de cima para baixo, terceiro piso, segundo piso, térreo, esse percorri incontáveis vezes, em círculos pelos corredores. Conforme o tempo passava, via as pessoas de verde com olhares tristes, feições tensas… “Caímos!”, desesperei, com o peito apertado e o coração rasgado, uma vontade imensa de chorar.

Percebi que dois homens de verde estavam também caminhando a esmo e em círculo naqueles corredores. Um deles passou por mim, levantou os óculos escuros e enxugou os olhos. Eu, que estava de azul, fiquei aterrorizada com a cena. Olhando num pulso qualquer identifiquei ser quinze para às sete da noite. “Está no fim”, pensei, me dirigindo à porta para sair.

Olhando em volta, a vida seguia para alguns e o silêncio na Turiaçu era de arrepiar a espinha. Desci a rampa de acesso e passei por um segurança murmurando: “acaba logo, acaba logo…”. A aflição dele acendeu em mim uma centelha de esperança e perguntei, finalmente: “Quanto tá?”. O segurança, inibido, perguntou: “Você é Palmeiras?”, respondi que sim, aí ele respondeu: -”Tá 1×1″.

Emendei com a pergunta mais difícil: -”E o Vitória?”, para ouvir que estava empatado em 0×0, quase sem terminar a frase, quando a Turiaçu explodiu em comemoração, gitos e lágrimas. Eu e o segurança comemoramos o gol do Palmeiras! Gol do Palmeiras, não é?

Vários de verde na calçada caminhavam rápido e gritamos: “-Quem fez?”, e um deles parou e disse: -”O jogos do Palmeiras acabou em 1×1. Esse gol foi do Santos!”

Aos berros, gritei para o homem que anunciava nosso futuro como um oráculo: “-E o Bahia?! E o Bahia?!”, para ouvir: “-Bahia perdeu, moça, estamos na série A, fica tranquila!”.

Aquele outro homem de verde que enxugou os olhos nos corredores do shopping saiu correndo, passou por mim e pelos seguranças, atravessou a rua e se jogou na calçada do outro lado da Turiaçu.

Sem saber bem o que fazer, agarrei as grades do portão, abaixei a cabeça, com lágrimas nos olhos e um sorriso nervoso, com um monte de gente de verde em volta se abraçando, o segurança de terno pulando e se confraternizando, mas ninguém comemorando no sentido de festejar que conhecemos. Houve fogos de artifício, explosões, gritos, mas era mais como se estivéssemos comemorando que o um asteróide desviou da rota no último minuto e não colidiu com o planeta Terra, mais especificamente com a rua Turiaçú. A comemoração era de alívio pela sobrevivência!

-Moça, tá passando mal?, perguntou um outro segurança, esse torcedor do Santos.
Estou bem agora, segurança santista, obrigada!

Sentei ali na calçada vendo aquele mar de gente carregando nosso símbolo tão lindo ir embora. Alguns se abraçavam, outros ainda choravam, uns xingavam e riam ao mesmo tempo. Mas teve um que me chamou atenção, com tanta idade que caminhava muito devagar, segurando na mão de outro senhor, mais jovem um pouco, talvez seu filho, não sei… Pensei no que ele pensava, ele devia estar tentando imaginar como isso pode ter acontecido com nosso Palmeiras, das gloriosas academias e de um passado de vitórias como nennhum outro time. Senti vergonha, compaixão, raiva e alívio, vontade de abraçar aquele senhor e levá-lo para longe dali, não do lugar em si, mas dessa situação…

Continuei ali, sentada, esperando meu marido e meu filho, num turbilhão de emoções. Quando chegaram, nos abraçamos e nos beijamos e nos congraçamos – o que o Palmeiras uniu, nenhum furacão pode destruir!
O purgatório de 2014 tinha passado. Haverá outros como esse? Até quando?

Nosso filho de 8 anos precisava ouvir depois do que passou que o Palmeiras não é isso, isso é uma sombra do que fomos, uma sombra que empalidece o alvi-verde imponente, mas que nossa torcida não se deixa esmorecer, não foge à luta, ostenta sua fibra, porque somos Palmeiras, nossa vida é você…
8 Dec 2014
Queria escrever como foi meu domingo. O pior de toda a minha vida de palmeirense. Pior que a decisão do Mundial no Japão. Pior que os dois rebaixamentos. Pior...
Texto tão brilhante quanto triste. Triste, porque retrata a verdade. Verdade, que jamais seja repetida nos próximos 100 anos.
Nascemos em 1914 e renascemos em 2014. Teremos os mesmos 86 anos para conquistar o BI-SÉCULO.
E vamos!

POR ERIKA GIMENEZ BARBUGLIO*

-Moça, tá passando mal?

A moça era eu, apoiada nas grades de um portão na rua Turiaçu, quase um muro das lamentações, em lágrimas e sorrindo ao mesmo tempo, comemorando o que ao longe parecia ser um gol do meu Palmeiras, jogando no estádio ao lado de onde eu estava.

Nessa partida não quis ir, não aguentaria.

Meu marido e meu filho estavam lá. Combinamos que eu ficaria por perto, no shopping próximo, passando o tempo, tentando me manter longe daquele purgatório de tensões. Talvez fosse ao cinema, mas nenhum filme me agradara. Queria ficar isolada naquelas quase 2 horas e, de repente, meu celular da maçã desligou sozinho e não ligou mais… Tecnologia com inteligência emocional? Cuidado com o que você deseja, como Lennon dizia…

Estava eu, então, sozinha desde às quatro da tarde, sem telefone, sem relógio, na rua Turiaçú. Assisti ao pontapé inicial do jogo na TV de um bar lotado de palmeirenses esperançosos (pleonasmo…), do outro lado da rua.

Com a bola rolando, fiz sinal da cruz três vezes, virei o rosto e fui caminhando pela calçada até o estacionamento do shopping, pensando que dentro do caro ficaria num abrigo à prova de som. Entrei, sentei no banco do motorista e encostei a cabeça no volante, nervos à flor da pele, lágrimas nos olhos. Bateram no vidro: -Moça, vai sair? perguntou uma senhora que queria a minha vaga, especificamente, mesmo com tantas outas livres e disponíveis no estacionamento.
Respondi “não” com a mão e a cabeça, sem voz. Nem que quisesse saíria dali, as pernas tremiam.

Naquele momento, alguns minutos após às cinco da tarde, minha tensão era tão forte que provocaria um curto-circuito – o telefone inteligente percebeu e se desligou antes.

Pensando em como me acalmar, respirei fundo e comecei a meditar, imaginando Maharishi, os Beatles e “Dear Prudence”, mas o rosto de Henrique, nosso “artilheiro” (os palmeirenses entenderão o porquê das aspas), invadia minha meditação como uma assombração. Fui meditando (mantra), meditando (mantra), respirando (mantra), preciso me acalmar (mantra), tudo passa (mantra), é só um jogo (mantra)… Ali, no carro com os vidros fechados, dentro do estacionamento, ouvi a explosão de uma comemoração enorme: gol?!? Desesperada, liguei o rádio, busquei a estação certa e ouvi: “pênalti para o Palmeiras, Henrique pega a bola e vai bat…”. Desliguei imediatamente.

De novo, respirei fundo, Maharishi, meditação (mantra), Henrique não erra (mantra), meditação (mantra) e… nova comemoração quebra o silênciO, eu choro de novo, estamos ganhando (penso), ligo o rádio e ouço: “Palmeiras empata o jogo!”. Empata?!? Empata o jogo?!?

Chega! Chega de tudo isso, chega de Maharishi, meditação, vou sair desse carro, não quero ouvir mais nada.

Saío do carro e me dirijo aos corredores do shopping, andando sem parar por todos os pisos, entrando em uma, duas, três, quatro, cinco lojas… “Posso ajudar”, perguntam os vendedores; não, não pode, ninguém pode, penso, enquanto respondo que estava só olhando…

Sem relógio, passava pelas pessoas fitando seus pulsos, em busca de noção do tempo. Entrei numa livraria para saber a hora na tela do computador do caixa. Seria mais fácil perguntar, eu sei, mas nada que eu fazia naquele momento tinha algum sentido.

Andando de cima para baixo, terceiro piso, segundo piso, térreo, esse percorri incontáveis vezes, em círculos pelos corredores. Conforme o tempo passava, via as pessoas de verde com olhares tristes, feições tensas… “Caímos!”, desesperei, com o peito apertado e o coração rasgado, uma vontade imensa de chorar.

Percebi que dois homens de verde estavam também caminhando a esmo e em círculo naqueles corredores. Um deles passou por mim, levantou os óculos escuros e enxugou os olhos. Eu, que estava de azul, fiquei aterrorizada com a cena. Olhando num pulso qualquer identifiquei ser quinze para às sete da noite. “Está no fim”, pensei, me dirigindo à porta para sair.

Olhando em volta, a vida seguia para alguns e o silêncio na Turiaçu era de arrepiar a espinha. Desci a rampa de acesso e passei por um segurança murmurando: “acaba logo, acaba logo…”. A aflição dele acendeu em mim uma centelha de esperança e perguntei, finalmente: “Quanto tá?”. O segurança, inibido, perguntou: “Você é Palmeiras?”, respondi que sim, aí ele respondeu: -”Tá 1×1″.

Emendei com a pergunta mais difícil: -”E o Vitória?”, para ouvir que estava empatado em 0×0, quase sem terminar a frase, quando a Turiaçu explodiu em comemoração, gitos e lágrimas. Eu e o segurança comemoramos o gol do Palmeiras! Gol do Palmeiras, não é?

Vários de verde na calçada caminhavam rápido e gritamos: “-Quem fez?”, e um deles parou e disse: -”O jogos do Palmeiras acabou em 1×1. Esse gol foi do Santos!”

Aos berros, gritei para o homem que anunciava nosso futuro como um oráculo: “-E o Bahia?! E o Bahia?!”, para ouvir: “-Bahia perdeu, moça, estamos na série A, fica tranquila!”.

Aquele outro homem de verde que enxugou os olhos nos corredores do shopping saiu correndo, passou por mim e pelos seguranças, atravessou a rua e se jogou na calçada do outro lado da Turiaçu.

Sem saber bem o que fazer, agarrei as grades do portão, abaixei a cabeça, com lágrimas nos olhos e um sorriso nervoso, com um monte de gente de verde em volta se abraçando, o segurança de terno pulando e se confraternizando, mas ninguém comemorando no sentido de festejar que conhecemos. Houve fogos de artifício, explosões, gritos, mas era mais como se estivéssemos comemorando que o um asteróide desviou da rota no último minuto e não colidiu com o planeta Terra, mais especificamente com a rua Turiaçú. A comemoração era de alívio pela sobrevivência!

-Moça, tá passando mal?, perguntou um outro segurança, esse torcedor do Santos.
Estou bem agora, segurança santista, obrigada!

Sentei ali na calçada vendo aquele mar de gente carregando nosso símbolo tão lindo ir embora. Alguns se abraçavam, outros ainda choravam, uns xingavam e riam ao mesmo tempo. Mas teve um que me chamou atenção, com tanta idade que caminhava muito devagar, segurando na mão de outro senhor, mais jovem um pouco, talvez seu filho, não sei… Pensei no que ele pensava, ele devia estar tentando imaginar como isso pode ter acontecido com nosso Palmeiras, das gloriosas academias e de um passado de vitórias como nennhum outro time. Senti vergonha, compaixão, raiva e alívio, vontade de abraçar aquele senhor e levá-lo para longe dali, não do lugar em si, mas dessa situação…

Continuei ali, sentada, esperando meu marido e meu filho, num turbilhão de emoções. Quando chegaram, nos abraçamos e nos beijamos e nos congraçamos – o que o Palmeiras uniu, nenhum furacão pode destruir!
O purgatório de 2014 tinha passado. Haverá outros como esse? Até quando?

Nosso filho de 8 anos precisava ouvir depois do que passou que o Palmeiras não é isso, isso é uma sombra do que fomos, uma sombra que empalidece o alvi-verde imponente, mas que nossa torcida não se deixa esmorecer, não foge à luta, ostenta sua fibra, porque somos Palmeiras, nossa vida é você…
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