Ir para conteúdo

Arquivado

Este tópico foi arquivado e está fechado para novas respostas.

Tody Jr.

Para poupar digitação

Posts Recomendados

Queria escrever como foi meu domingo. O pior de toda a minha vida de palmeirense. Pior que a decisão do Mundial no Japão. Pior que os dois rebaixamentos. Pior...

Texto tão brilhante quanto triste. Triste, porque retrata a verdade. Verdade, que jamais seja repetida nos próximos 100 anos.

Nascemos em 1914 e renascemos em 2014. Teremos os mesmos 86 anos para conquistar o BI-SÉCULO.

E vamos!

 

POR ERIKA GIMENEZ BARBUGLIO*

 

-Moça, tá passando mal?

 

A moça era eu, apoiada nas grades de um portão na rua Turiaçu, quase um muro das lamentações, em lágrimas e sorrindo ao mesmo tempo, comemorando o que ao longe parecia ser um gol do meu Palmeiras, jogando no estádio ao lado de onde eu estava.

 

Nessa partida não quis ir, não aguentaria.

 

Meu marido e meu filho estavam lá. Combinamos que eu ficaria por perto, no shopping próximo, passando o tempo, tentando me manter longe daquele purgatório de tensões. Talvez fosse ao cinema, mas nenhum filme me agradara. Queria ficar isolada naquelas quase 2 horas e, de repente, meu celular da maçã desligou sozinho e não ligou mais… Tecnologia com inteligência emocional? Cuidado com o que você deseja, como Lennon dizia…

 

Estava eu, então, sozinha desde às quatro da tarde, sem telefone, sem relógio, na rua Turiaçú. Assisti ao pontapé inicial do jogo na TV de um bar lotado de palmeirenses esperançosos (pleonasmo…), do outro lado da rua.

 

Com a bola rolando, fiz sinal da cruz três vezes, virei o rosto e fui caminhando pela calçada até o estacionamento do shopping, pensando que dentro do caro ficaria num abrigo à prova de som. Entrei, sentei no banco do motorista e encostei a cabeça no volante, nervos à flor da pele, lágrimas nos olhos. Bateram no vidro: -Moça, vai sair? perguntou uma senhora que queria a minha vaga, especificamente, mesmo com tantas outas livres e disponíveis no estacionamento.

Respondi “não” com a mão e a cabeça, sem voz. Nem que quisesse saíria dali, as pernas tremiam.

 

Naquele momento, alguns minutos após às cinco da tarde, minha tensão era tão forte que provocaria um curto-circuito – o telefone inteligente percebeu e se desligou antes.

 

Pensando em como me acalmar, respirei fundo e comecei a meditar, imaginando Maharishi, os Beatles e “Dear Prudence”, mas o rosto de Henrique, nosso “artilheiro” (os palmeirenses entenderão o porquê das aspas), invadia minha meditação como uma assombração. Fui meditando (mantra), meditando (mantra), respirando (mantra), preciso me acalmar (mantra), tudo passa (mantra), é só um jogo (mantra)… Ali, no carro com os vidros fechados, dentro do estacionamento, ouvi a explosão de uma comemoração enorme: gol?!? Desesperada, liguei o rádio, busquei a estação certa e ouvi: “pênalti para o Palmeiras, Henrique pega a bola e vai bat…”. Desliguei imediatamente.

 

De novo, respirei fundo, Maharishi, meditação (mantra), Henrique não erra (mantra), meditação (mantra) e… nova comemoração quebra o silênciO, eu choro de novo, estamos ganhando (penso), ligo o rádio e ouço: “Palmeiras empata o jogo!”. Empata?!? Empata o jogo?!?

 

Chega! Chega de tudo isso, chega de Maharishi, meditação, vou sair desse carro, não quero ouvir mais nada.

 

Saío do carro e me dirijo aos corredores do shopping, andando sem parar por todos os pisos, entrando em uma, duas, três, quatro, cinco lojas… “Posso ajudar”, perguntam os vendedores; não, não pode, ninguém pode, penso, enquanto respondo que estava só olhando…

 

Sem relógio, passava pelas pessoas fitando seus pulsos, em busca de noção do tempo. Entrei numa livraria para saber a hora na tela do computador do caixa. Seria mais fácil perguntar, eu sei, mas nada que eu fazia naquele momento tinha algum sentido.

 

Andando de cima para baixo, terceiro piso, segundo piso, térreo, esse percorri incontáveis vezes, em círculos pelos corredores. Conforme o tempo passava, via as pessoas de verde com olhares tristes, feições tensas… “Caímos!”, desesperei, com o peito apertado e o coração rasgado, uma vontade imensa de chorar.

 

Percebi que dois homens de verde estavam também caminhando a esmo e em círculo naqueles corredores. Um deles passou por mim, levantou os óculos escuros e enxugou os olhos. Eu, que estava de azul, fiquei aterrorizada com a cena. Olhando num pulso qualquer identifiquei ser quinze para às sete da noite. “Está no fim”, pensei, me dirigindo à porta para sair.

 

Olhando em volta, a vida seguia para alguns e o silêncio na Turiaçu era de arrepiar a espinha. Desci a rampa de acesso e passei por um segurança murmurando: “acaba logo, acaba logo…”. A aflição dele acendeu em mim uma centelha de esperança e perguntei, finalmente: “Quanto tá?”. O segurança, inibido, perguntou: “Você é Palmeiras?”, respondi que sim, aí ele respondeu: -”Tá 1×1″.

 

Emendei com a pergunta mais difícil: -”E o Vitória?”, para ouvir que estava empatado em 0×0, quase sem terminar a frase, quando a Turiaçu explodiu em comemoração, gitos e lágrimas. Eu e o segurança comemoramos o gol do Palmeiras! Gol do Palmeiras, não é?

 

Vários de verde na calçada caminhavam rápido e gritamos: “-Quem fez?”, e um deles parou e disse: -”O jogos do Palmeiras acabou em 1×1. Esse gol foi do Santos!”

 

Aos berros, gritei para o homem que anunciava nosso futuro como um oráculo: “-E o Bahia?! E o Bahia?!”, para ouvir: “-Bahia perdeu, moça, estamos na série A, fica tranquila!”.

 

Aquele outro homem de verde que enxugou os olhos nos corredores do shopping saiu correndo, passou por mim e pelos seguranças, atravessou a rua e se jogou na calçada do outro lado da Turiaçu.

 

Sem saber bem o que fazer, agarrei as grades do portão, abaixei a cabeça, com lágrimas nos olhos e um sorriso nervoso, com um monte de gente de verde em volta se abraçando, o segurança de terno pulando e se confraternizando, mas ninguém comemorando no sentido de festejar que conhecemos. Houve fogos de artifício, explosões, gritos, mas era mais como se estivéssemos comemorando que o um asteróide desviou da rota no último minuto e não colidiu com o planeta Terra, mais especificamente com a rua Turiaçú. A comemoração era de alívio pela sobrevivência!

 

-Moça, tá passando mal?, perguntou um outro segurança, esse torcedor do Santos.

Estou bem agora, segurança santista, obrigada!

 

Sentei ali na calçada vendo aquele mar de gente carregando nosso símbolo tão lindo ir embora. Alguns se abraçavam, outros ainda choravam, uns xingavam e riam ao mesmo tempo. Mas teve um que me chamou atenção, com tanta idade que caminhava muito devagar, segurando na mão de outro senhor, mais jovem um pouco, talvez seu filho, não sei… Pensei no que ele pensava, ele devia estar tentando imaginar como isso pode ter acontecido com nosso Palmeiras, das gloriosas academias e de um passado de vitórias como nennhum outro time. Senti vergonha, compaixão, raiva e alívio, vontade de abraçar aquele senhor e levá-lo para longe dali, não do lugar em si, mas dessa situação…

 

Continuei ali, sentada, esperando meu marido e meu filho, num turbilhão de emoções. Quando chegaram, nos abraçamos e nos beijamos e nos congraçamos – o que o Palmeiras uniu, nenhum furacão pode destruir!

O purgatório de 2014 tinha passado. Haverá outros como esse? Até quando?

 

Nosso filho de 8 anos precisava ouvir depois do que passou que o Palmeiras não é isso, isso é uma sombra do que fomos, uma sombra que empalidece o alvi-verde imponente, mas que nossa torcida não se deixa esmorecer, não foge à luta, ostenta sua fibra, porque somos Palmeiras, nossa vida é você…

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

É o que eu disse em outro tópico.....de Palmeiras mesmo, só restou a torcida.

 

Parabéns a todos nós torcedores.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Guest Turco

eu to ficando cansado já... nao nasci pra torcer pra time que luta p nao cair.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Puts... Emocionante pra caramba.. pra nós palmeirenses fanaticos, é facil se identificar com o que sentiu essa moça, se colocar no lugar dela e conseguir imaginar tudo que ela sentiu é missão facil, ser palmeirense que é missão dificil!!!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Que texto... pqp!

 

E que o Palmeiras surja imponente de novo, pois essa torcida não merece esse sofrimento.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Show!!!

 

Por isto preferi ir para dentro do Allianz embora confiasse muito mais no Santos e Coritiba do que no Palmeiras

 

Mas depois de todo este sofrimento,

 

Xingar o Nobre e este time sem vergonha com toda a minha força e raiva... NÃO TEVE PREÇO!!!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Sensacional!!! Manda para o email do Nobre para ele entender o que fez com a nação alviverde.

 

Apanhamos demais neste centenário. Nós não aguentamos mais isso!! Nós não merecemos sofrer tanto!!!

 

Sensação muito esquisita de alívio com uma raiva por ter acompanhado esse catado....

 

PAREM DE MANCHAR A HISTÓRIA DO PALMEIRAS.......BASTA PORRA!!!!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Esse texto resume o sentimento de todos os palmeirenses...

 

Ontem quis me esconder, mas não consegui...

 

Quis me ausentar, mas não consegui...

 

O amor pelo Palmeiras se resume na frase do Joelmir Beting...

 

Acho que foi o maior sofrimento da minha vida, nem comparado aos rebaixamentos ou à perda de títulos...

 

Não sei explicar o porque, mas era o meu sentimento...

 

Na noite anterior não consegui dormir direito e a adrenalina pós jogo me deixou elétrico que não consegui dormir cedo ontem...

 

Acho que o Eduardo deveria fixar esse texto na Página Principal

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Eu tenho certeza que a chegada do Allianz Parque e a reestruturação financeira feita nesses dois anos horrendos nos colocarão numa nova era.

 

Ontem, terminou o período vexaminoso do Palmeiras.

 

 

 

Hoje, o clube começou a renascer.

 

Deu no face Oficial do clube agora que Brunoro, Dorival e Omar estão fora. Começamos bem. A pagina até caiu kkk

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Talvez um dos gols que mais comemorei na minha vida.

Esse e o do pedrinho de falta aos 49 minutos na semifinal do Paulistao de 2004 contra o Paulista de Jundiaí.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
É o que eu disse em outro tópico.....de Palmeiras mesmo, só restou a torcida.

 

Parabéns a todos nós torcedores.

 

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Lindo texto !

 

Fui ás lágrimas junto com vários irmãos na arquibancada quando o jogo terminou. Acredito que nunca houve uma ligação tão forte na torcida como houve ontem.

 

Quando começamos á ir embora, todo mundo se cumprimentava e sorria á esmo, como se fosse uma família só.

 

E quer saber, somos mesmo.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

  • Quem Está Navegando   0 membros estão online

    Nenhum usuário registrado visualizando esta página.

×
×
  • Criar Novo...

Informação Importante

Ao usar o fórum você concorda com nossos Termos de Uso e Política de Privacidade..