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Markin Kiko

Entrevista do Lúcio ao Estadão

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'O grupo tem de ser o mais importante', diz Lúcio, zagueiro do Palmeiras

Jogador avisa que não se pode colocar a individualidade à frente do coletivo para brigar pelo título do Brasileiro

 

Após 14 anos, Lúcio volta a disputar a Série A do Brasileiro. O jogador visitou a redação do Estado nesta quinta-feira e falou sobre o que esperar do Palmeiras para o Nacional, afirmou que o aspecto coletivo tem de se sobressair, comparou Gilson Kleina com Ottmar Hitzfeld, técnico da Suíça, e disse apostar no hexacampeonato do Brasil.

 

ESTADÃO: O que o Palmeiras pode fazer neste Campeonato Brasileiro?

Tem de esperar algumas rodadas para saber, mas a motivação é grande. Temos a oportunidade de mostrar o nosso valor, já que viemos da Série B e sempre tem a desconfiança. E a derrota para o Ituano foi um aprendizado. A gente viu que não pode bobear um minuto e que todo jogo tem de ser encarado como uma final. O gosto amargo da derrota faz a gente refletir mais.

 

ESTADÃO: Como os atletas mais experientes do grupo podem ajudar o jovem elenco do Palmeiras?

Tenho de fazer a minha parte bem, jogando, cumprindo as obrigações táticas. O futebol é um esporte coletivo e não podemos contar com a individualidade. Minha participação é ajudar os mais jovens. Eles devem acreditar que podem ganhar títulos.

 

ESTADÃO: A união é fundamental para o time dar certo?

Um time campeão precisa de grandes jogadores. A individualidade pode decidir em alguns momentos, mas o coletivo é o mais importante. Esse pensamento tem de existir no Palmeiras e na seleção brasileira. Todo mundo tem de remar para o mesmo lado e o grupo tem de ser o mais importante. Como disse na Copa América de 2011, se o nome fosse tão importante, não ficaria no lado de trás da camisa.

 

ESTADÃO: Torcedores recentemente fizeram alguns protestos violentos contra os jogadores, tanto que hoje alguns atletas andam até com segurança particular. Isso não é algo que te preocupa?

A preocupação com a segurança existe, sim, tanto no Brasil como lá fora. É algo que temos de prestar atenção, principalmente se for uma pessoa pública. Só lamento porque tudo isso mancha a imagem do País do futebol, que vai sediar uma Copa do Mundo. Fico muito contente em ver quem vai ao estádio apoiar a equipe. Esses sim, são verdadeiros torcedores.

 

ESTADÃO: O Gilson Kleina se parece com algum técnico com quem você trabalhou?

A maior qualidade dele é o caráter. Ele trata todo mundo de maneira igual e não faz diferença entre quem joga e o reserva. Ele trabalha muito, posiciona bem o time. Trabalhei com o Ottmar Hitzfeld, atual técnico da Suíça e que foi campeão pelo Borussia Dortmund e Bayern de Munique, e eles se parecem. Eles falam o que está errado olhando no olho do jogador.

 

ESTADÃO: É verdade que quando você chegou ao Palmeiras os atletas mais jovens brincaram com a sua idade?

Teve mesmo. Wesley e mais uns moleques falaram que jogavam videogame com meu boneco no Atari e no Super Nintendo. Dei risada e falei que eu só apareci a partir do Playstation, que é mais novo. Mas isso foi legal, porque ajudou a me fazer enturmar rapidamente e fui muito bem recebido por todos no clube.

 

ESTADÃO: Quando foi afastado do São Paulo e foram divulgadas algumas matérias em que você seria o culpado, não ficou com receio de ser rotulado como indisciplinado?

Sinceramente, não. Eu estava só esperando o momento certo para falar. Naquele momento, o São Paulo estava num momento conturbado e achei melhor me calar, até porque eu era atleta do São Paulo. Mas não fiquei com receio e nem preocupação, até porque por mais que as pessoas tenham falado muitas mentiras, a verdade sempre vai prevalecer. Passei dez anos na seleção brasileira e 12 no futebol europeu, ganhando títulos em vários clubes grandes. Se eu fosse indisciplinado, não teria jogado tanto tempo.

 

ESTADÃO: Qual é a expectativa para a seleção brasileira na Copa?

Pelo comando da seleção, nível dos jogadores e jogando em casa, tudo isso motiva bastante e vejo o Brasil com grandes chances de ser campeão. A presença do Felipão faz o time ganhar confiança. Ele fez isso em 2002. Claro que isso não pode partir só do treinador. O grupo tem de estar disposto a se sacrificar e deixar a individualidade de lado e pensar só na seleção. Já vimos que quando isso não é feito, quem perde é a seleção. Mesmo que alguns dos nossos jogadores não vivam um bom momento, acredito que o time será forte e um dos favoritos.

 

ESTADÃO: O nível dos técnicos brasileiros é muito distante do europeu?

Acredito que sim, principalmente na parte do comando. Aqui você vê claramente interferência de diretores e presidentes na escalação, o que é uma vergonha. Na Europa, o treinador faz o que quiser e no fim da temporada presta conta para o dirigente. Nisso, estamos muito atrás.

 

ESTADÃO: E o Mourinho. O que ele tem de especial que faz ele ser tão bom treinador e ao mesmo tempo ranzinza?

O Mourinho é muito motivado. Ele é chato com a imprensa, mas é uma forma de proteger o time dele e os jogadores. Ele foi um dos melhores treinadores com quem trabalhei. Ele fala na cara o que você errou e passa confiança aos jogadores. E algo fundamental: ele protege os jogadores.

 

ESTADÃO: E o Materazzi. Recentemente deu uma entrevista te xingando de tudo quanto foi nome. O que aconteceu? Foi só por você chegar na Internazionale e ganhar a vaga dele ou...

Só? Para ele isso foi muito (risos). Deve ter sido algo preocupante para ele. Não sei o que acontece. Nunca tive nada pessoal contra ele. Não sei porque daquelas declarações idiotas que ele fez. Mas o mundo inteiro conhece o caráter dele, e que ele gosta de aparecer. Na Inter, fazia isso querendo aparecer sem jogar. É um cara que não merece nem gastar saliva falando dele.

 

ESTADÃO: Aprova ex-jogadores que viram comentaristas?

Alguns ex-jogadores só querem criticar. Isso é uma falta de caráter e personalidade. Avaliar um atleta é diferente de humilhar. Principalmente se o cara estava ao seu lado, jogando, pouco tempo atrás. Infelizmente isso acontece. Não sei se é inveja, mas acontece.

 

Estadão

 

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Lucio é um cara que tem meu respeito. Sempre admirei o fato de sempre jogar qualquer partida que seja com sangue nos olhos, com vontade de ganhar. Acho que sua experiencia vai fazer muito bem aos garotos da base que estão subindo e tambem ao grupo em si. Alem de tudo sempre foi vencedor onde passou, espero que aqui não seja diferente.

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Guest leo_palmeiras

Kleina e Lucio tomaram as rédeas da falação.

O bom é que sempre aparece algo sobre o Palmeiras nos sites de noticias.

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