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Pedro Lopes: Pai para filho: Leila e marido foram donos de empresa que comprará o Vasco
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O UOL teve acesso aos documentos societários da empresa desde sua fundação. Não há qualquer prova de participação direta de Leila em negociações, mas os documentos e a cronologia dos fatos indicam a participação de José Roberto Lamacchia para além do papel de avalista.
Em carta enviada ao Vasco em julho deste ano e anexada a seu processo de recuperação judicial na Justiça do Rio, Marcos Lamacchia diz que a Almirante mantém negociações com o Vasco "há mais de dois anos". Em tese, isso abrange o período no qual a Almirante se chamava Top Gol, não tinha Marcos entre os acionistas e estava sob controle acionário de José Roberto Lamacchia -e já sem Leila Pereira.
Procurada pela coluna, a Almirante disse, por meio de sua assessoria, que "No momento em que a Almirante começou a negociar a compra do Vasco, a Crefipar não possuía qualquer participação direta ou indireta na empresa. A Crefipar é uma holding que possui centenas de empresas com os mais diversos objetos sociais, da qual Leila possui participação de apenas 2%, sem poder de gestão. A Almirante foi transferida para Marcos Faria Lamacchia quando se pensou em iniciar a compra do Vasco. Todo e qualquer documento entre Vasco e Almirante foram firmados no momento em que Marcos Faria Lamacchia era seu acionista majoritário. Portanto, não há qualquer vínculo entre Leila e a Almirante nesta operação.".
Participação de Leila no nascimento da Almirante
A participação de Leila na criação aconteceu por meio da Crefipar, empresa que concentra investimentos da família e que tinha, na época, Leila como detentora de 2% das ações. A ligação é indireta e passa por outras três empresas:
Top Gol = Ravena + Siena = Crefipar
A Top Gol foi criada em março de 2024 tendo como acionistas outras duas empresas: a Ravena Participações e a Siena Participações. Ambas, por sua vez, tinham como acionista majoritário, com 99% do capital, a Crefipar Participações.
É na Crefipar que entra o nome de Leila Pereira: a empresa é uma holding que engloba investimentos da família Lamacchia, em que Leila tinha, na época, uma participação de 2%. O restante pertencia ao marido, José Roberto Lamacchia.
Saída da Crefipar
Em abril, a Top Gol muda seu quadro societário em uma sucessão de mudanças de dono. Primeiro, passa a pertencer apenas à Siena. Ao mesmo tempo, a Siena passa a pertencer à Ravena. Além disso, a Ravena deixa de ser uma propriedade da Crefipar para ser apenas de José Roberto Lamacchia. Essa movimentação tira Leila da estrutura de forma definitiva.
O contrato social da empresa tem como objeto a) gestão de atividades do futebol e b) participação em SAFs de futebol.
Cronologia de primeiras conversas com o Vasco
Um mês depois dessa mudança, em maio de 2024, o jornalista Rodrigo Capelo publicou que Lamacchia, por meio da Crefisa, tinha tentado adquirir a SAF do Vasco em negociação com a 777 Partners, dona da antiga SAF. As conversas teriam sido interrompidas por risco de conflito de interesses, já que Leila Pereira tentaria a reeleição no Palmeiras.
Marcos assume e conversas com o Vasco voltam
Em agosto de 2025, um ano e meio depois das primeiras movimentações, José Roberto Lamacchia deixa o controle acionário da Top Gol, que passa a pertencer 99% a Marcos Lamacchia. Em seguida, muda de nome para Almirante Participações.
Em outubro de 2025, a Crefisa faz um empréstimo de R$ 80 milhões ao Vasco, tendo como garantia 20% das ações da SAF, parcela posteriormente reduzida para 10%.
Essa garantia serviu como combustível para que, em abril deste ano, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, apontasse conflito de interesses na aproximação entre Crefisa e Vasco.
"Só olhar o caso do empréstimo da Crefisa ao Vasco da Gama. Qual foi a garantia solicitada? Eu, se fosse banqueiro, pedia o estádio de São Januário, que é um ativo real, como garantia. Quem poderia pedir ações da SAF como garantia? Talvez quem queira assumir a SAF do Vasco", disse Bap.
Foi já sob o controle de Marcos que as negociações avançaram e documentos foram assinados. A Almirante é a principal candidata a adquirir o Vasco no processo de concorrência, que acontece nesta sexta-feira, às 14h.
É um leilão judicial dentro da recuperação judicial do Vasco: o que está em jogo é a venda de 90% da nova SAF. Funciona por envelope lacrado: os interessados apresentam suas propostas na própria audiência, e a Almirante entra como "stalking horse".
Em outras palavras, a Almirante já tem uma proposta de referência registrada no processo (investimento mínimo de R$ 650 milhões ao longo de cinco anos, segundo o edital de julho) e o direito de cobrir qualquer oferta concorrente que apareça. Depois do leilão, a proposta vencedora ainda passa pelos conselhos do clube antes de fechar.
Há ainda uma investigação da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), órgão de controle do fair play financeiro ligado à CBF. A agência apura a existência ou não de conflito de interesses envolvendo Vasco e Palmeiras no caso. Até o momento, proibiu cautelarmente negócios entre Vasco e Palmeiras ou Crefisa.
O caso ainda será julgado nos próximos dias